RELIGIOSIDADES E ECOLOGIA

23/09/2025

O apelo à preservação do meio ambiente é um fenômeno que surge junto ao desenvolvimento do conceito de ecologia. A palavra ecologia vem do grego oikos, que significa casa, logos, estudo ou razão, e foi cunhada no século XIX pelo zoólogo alemão Ernst Haeckel, para designar a relação dos animais com seu meio ambiente orgânico e inorgânico. Mas o tema da ecologia ganha notoriedade de fato no século XX quando ambientalistas, biólogos e pesquisadores tomam consciência dos riscos da degradação ambiental.

As diversas formas de religiosidades presentes no Brasil e no mundo, cada uma ao seu modo, possuem abordagens éticas, ritualísticas e teológicas de manifestar a sua cosmovisão com relação à natureza, ao ambiente, e de um modo mais abrangente com aquilo que atualmente chamamos de ecologia, mas que desde remota tradição já era compreendida pelas religiões como o sagrado natural. Desde as religiões monoteístas, onde tudo foi obra do criador e, portanto, a natureza deve ser amada e respeitada, até as religiões anímicas, politeístas e nativas, cujo princípio religioso está intimamente relacionado à harmonia, e conexão com a mãe terra e com tudo que nela habita, existe profunda relação entre a religiosidade e a natureza.

A ONU lançou, em 2017, o projeto Faith for Earth (Fé pela Terra), para interagir estrategicamente com entidades religiosas e se associar a elas para avançar no cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Desde então, já construiu uma rede de mais de 750 organizações religiosas para aproveitar a influência da religiosidade em nome do planeta Terra.

O Ensino Religioso, como um componente curricular, em suas relações interdisciplinares e objetivos de aprendizagem, possuem no tema da religiosidade e a ecologia, muitas possibilidades pedagógicas para desenvolvimento de aulas que busquem desenvolver habilidades e competências relacionadas à formação humanística e cidadã dos estudantes.

A religiosidade e a ecologia podem ser trabalhadas nos conteúdos relacionados a textos sagrados orais e escritos, onde contém os preceitos éticos das organizações religiosas sobre a relação com a natureza e o ambiente onde estamos inseridos, nos conteúdos de lugares sagrados, líderes religiosos entre outros. Conforme a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) um do desafios da educação é desenvolver objetivos de aprendizagem relacionados aos temas Contemporâneos "que afetam a vida humana em escala local,regional e global" (BRASIL, 2017, p. 19):

"A incorporação de novos temas visa atender às novas demandas sociais e, garantir que o espaço escolar seja um espaço cidadão, comprometido com a construção da cidadania pede, necessariamente, uma prática educacional voltada para a compreensão da realidade social e dos direitos e responsabilidades em relação à vida pessoal, coletiva e ambiental" (BRASIL, 1997, p. 15).

Considerando o papel social do sistema escolar, para além do Ensino Religioso, temos uma importante responsabilidade no que diz respeito à uma necessária mudança de comportamento, na forma de consumir, de descartar, mas principalmente na forma como nos relacionamos com o todo ambiente, com os animais e plantas e conosco mesmo. Uma verdadeira reconexão com o sagrado natural como estratégia para minimizar o impacto do antropoceno na Terra, e com isso talvez garantir a existência humana.

Portanto, neste subsídio pedagógico iremos apresentar contribuição dos representantes das tradições religiosas no que diz respeito à ecologia e algumas possibilidades de atividades práticas para serem adaptadas e utilizadas em sala de aula pelos professores (as) de Ensino Religioso.

Astor Fiegenbaum

https://lattes.cnpq.br/2627254096100518

E-mail: ensinoreligiosors@bol.com.br


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